Gostaria de agradecer a oportunidade, por convite de Wilken Souto, para apresentação sobre Ferramentas Online voltadas o segmento Turístico, no MTur.
- – Mais um texto de Conrado Adolpho, como todos os outros textos na categoria.
Oh Captain! My Captain! A frase é velha conhecida para aqueles que têm mais de 30 anos. O filme “A Sociedade dos Poetas Mortos”, com Robin Williams – trouxe a expressão Carpe Diem para as massas: uma celebração à vida.
No filme, passado em 1959, jovens estudantes de uma rígida escola americana foram sutilmente incentivados por John Keating, o professor transgressor (um antigo e certeiro chavão de Hollywood), a se reunirem para discutir poesia, falar sobre garotas e descobrirem-se como seres humanos completos.
Os tempos mudaram, a tecnologia mudou, porém, o espírito humano permaneceu praticamente o mesmo nos últimos 50 anos. O hábito de se reunir em grupos não arrefeceu ao longo das décadas, pelo contrário, só tem aumentado. Uma dessas reuniões aconteceu no fim do mês de janeiro de 2010 sob o nome, não mais de Sociedade dos Poetas Mortos, mas Campus Party – muito mais moderno e adequado aos novos tempos.
Em uma das palestras, Lawrence Lessig – professor de direito em Harvard e fundador do Creative Commons, proferiu uma frase que merece ser relembrada: “Antigamente, os jovens se reuniam pra falar sobre livros, música e filmes. Hoje, fazem isso online”. É a nova Dead Poets Society pós-moderna.
A reunião transcendeu as cavernas na escuridão e ganhou as ruas e as telas. Os jovens se reúnem em redes sociais, eventos abertos, salas de chat e em torno de ideias no Twitter. A reunião continua sendo em torno de ideias, mas agora, sem a barreira geográfica.
A tecnologia, chamada tantas vezes ao banco dos réus como a vilã das relações humanas, se mostra dia a dia como uma catalisadora social, porém, sob uma nova ótica. A ótica de um mundo sem fronteiras.
Os jovens do século XXI, agora enigmaticamente chamados de geração Y, geração Z, geração digital e outras denominações – notadamente influenciadas pelas novas tecnologias exatas – se voltam para um novo ser humano cibernético, o “homo cyber”. O ponto até então desconhecido entre o racional vulcaniano e o emocional bipolar.
O modelo de sociedade baseada na escassez e na restrição não serve mais para os nossos nativos digitais. A geração que passa o tempo todo plugada, discutindo, destruindo e reconstruindo suas identidades online, pensa sob uma lógica, diga-se de passagem, bem distinta de nós, que assistimos Sociedade dos Poetas Mortos no cinema.
Repensar o modelo custa caro para o status quo. E enquanto essa discussão não acontecer de maneira eficiente, o choque de gerações ficará mais acirrado do que nunca. A nova ordem que se impõe de baixo para cima é a da cultura livre. Assim como a operadora “Oi” prega a liberdade, muito bem ambientada no pensamento que toma o mundo de assalto, o movimento do software livre, do Creative Commons, da pirataria online e tantos outros trazem à tona a causa nobre da liberdade.
Por meio da internet, o homem se libertou do tempo, se libertou do espaço e se libertou do modelo hierárquico baseado na assimetria de informações.
De Ícaro a Linus, o espírito humano, de fato, não mudou. A escola em que o filme se passa, hoje é a nossa própria sociedade. Digamos todos “Oh Captain! My Captain!” e criemos um novo modelo de mundo baseado na escolha e não na imposição.
Links para dois sites legais
Comunicação e Marketing Digital por Blog do Mangueira
Se sua empresa já incorporou as Redes Sociais 2.0 e outras ferramentas de Buzz Marketing ao seu mix de marketing digital, com certeza o pessoal do Marketing deve estar se perguntando: “Será que vale mesmo todo o tempo e esforço envolvido?” Esta pode parecer uma pergunta difícil de responder à primeira vista, e geralmente as empresas se satisfazem com resultados etéreos e pouco mensuráveis, típicos de ferramentas do mundo offline, como outdoors ou páginas de revista. No entanto, há passos concretos e objetivos para se medir o retorno dos seus investimentos em mídia social.
Quando não se determina um objetivo, qualquer resultado é suficiente.
Por objetivo não se deve entender conseguir 1.000 seguidores no Twitter, ou 200 amigos no Orkut. Estas são as ferramentas, e os números que as acompanham são as metas específicas. É um grande erro colocar como objetivo da campanha conseguir 1.000 seguidores. Atingidos os 1.000, o departamento financeiro perguntará “Certo, mas e agora? Que vantagem exatamente levamos com este investimento?”
A definição do objetivo ocorre um passo antes. As ações de marketing digital devem ser entendidas no contexto do Planejamento Integrado de Marketing. Os objetivos das ações online devem ser extraídos dos próprios objetivos gerais da empresa. Utilizar o ambiente online é apenas a estratégia.
Alguns exemplos comuns de objetivos são brand awareness, gerar vendas e conhecer melhor o público-alvo. Todos muito válidos, no entanto, serão medidos de formas muito diferentes. Não planejar as prioridades levará a resultados dispersos e de difícil mensuração.
Planejamento de mensuração
Os mais suspeitos poderiam imaginar que algumas agências não definem junto métodos claros e objetivos de mensuração para as ações de Buzz Marketing para encobrir um possível insucesso de uma cara campanha. No entanto, um olhar mais técnico evidencia que a arte de mensurar, produzir um relatório objetivo de performance e retorno sobre a campanha, não é uma tarefa fácil. Definir uma metodologia precisa de mensuração para ações em mídias sociais demanda uma expertise talvez mais sofisticada que a necessária na criação da campanha. É preciso passear muito bem por diversas ferramentas web e relacioná-las com aspectos offline, como crescimento nas vendas ou comportamento no PDV.
Existe uma demanda tão grande pela mensuração precisa e confiável das ações em ambientes interativos que empresas se especializaram apenas em monitorar este desempenho.
Agrupando as mensurações
Os resultados finais com uma ação de Buzz Marketing podem ser organizados da seguinte forma:
1. Nucleares
i. Tráfego no site principal
ii. Conversão (vendas, contatos etc..)
2. Sites de relacionamento
i. Tráfego
ii. Viralização de conteúdo oficial
iii. Produção de conteúdo pelo público
3. Buscadores
i. Aumento do volume de buscas pela marca
ii. Termos associados a marca
4. Pesquisas qualitativas de opinião
Os resultados nucleares envolvem resultados centrais ao negócio, como vendas no PDV, desde que objetivamente relacionadas com as ações online. Por exemplo, impressão de um cupom de desconto no site. Além disso, também fazem parte dos resultados nucleares o aumento no tráfego dos sites de propriedade da empresa (exclui-se por exemplo visitações a perfis em redes sociais). Essa separação se deve a diferença qualitativa da mensuração, pois, em sites onde se pode instalar o Google Analytics (ou o Motigo etc..), tem-se um controle diferenciado – incluindo tráfego, conversão de metas internas (vendas online, contatos via site, páginas internas específicas), tempo dentro do site, origem do tráfego e uma infinidade de dados muito objetivos.
Os resultados em sites de relacionamento irão variar muito, pois temos uma parte significativa dos resultados obtidos depende da natureza da rede e dos dados que ela disponibiliza. Por exemplo, Orkut e LinkedIn disponibilizam o número de contatos diretos (amigos), o número de visitações ao seu perfil, uma busca por citações suas em fóruns e perfis (por exemplo, um autor pode mensurar quantas pessoas mencionam ter lido seu livro no perfil, e isso aparece na busca). Além disso, é preciso ter ferramentas para mensurar a qualidade do que foi dito, atribuir um mínimo de gradação para os comentários. Não vale o “falem mal, mas falem de mim”. Sites como o Twitter disponibilizam o número de seguidores, o número de citações e retweets. Sites como o www.blablabra.net mensuram quanto se está falando sobre determinado termo (ou sua marca) no Twitter e ampliam a mensuração.
Encurtadores como o bit.ly (e o migre-me) conseguem mensurar o quantas pessoas clicaram em cada link. É uma boa idéia escolher URLs encurtadas diferentes para cada vez que se faz uma ação, mesmo que levem para um mesmo lugar, para ter controle mais preciso sobre a efetividade de cada micro-ação. Todos estes dados devem ser cruzados com dados obtidos nos resultados nucleares. Por exemplo, olhar a origem do tráfego no Analytics e até fazer uma pesquisa de “como viu pela primeira vez?” entre os compradores.
O grau de viralização pode ser um dos mais difíceis dados de ser medidos, apesar de algumas ferramentas facilitarem muito isso. Se o conteúdo a ser viralizado for um vídeo no Youtube, fica muito fácil medir o número de visualizações. É interessante ir além, como medir o número de remakes dos vídeos publicados, os comentários em relação aos vídeos e até o posicionamento do vídeo nas buscas do Youtube (Youtube SEO). Para outras ações, podem ser utilizadas técnicas como medir o número de ocorrências da marca no Google, ou se possível, de palavras relacionadas à ação específica. Pode somar-se a isso, quais palavras estão sendo “indicadas” pelo Google junto a sua marca. Por exemplo, digitem a palavra “chocolate” no Google, e o buscador irá sugerir Kopenhagen. Uma vez que as sugestões não são baseados no volume de buscas, mas no volume de conteúdo produzido, isso também é uma mensuração válida para a quantidade de conteúdo independente produzido. Estes são alguns exemplos de estratégias muito eficazes – cada ação precisará de várias estratégias adaptadas para o caso específico.
Algumas ações de Buzz Marketing visam à boa colocação nos buscadores, para gerar, além de tráfego, credibilidade. A despeito dos critérios técnicos utilizados por buscadores como o Google, pesquisas demonstram que a maioria do público acredita que o site que aparece em primeiro lugar pertence ao líder de mercado.
Muitos acreditam que a única forma de conseguir bons posicionamento no Google é utilizar técnicas de SEO em seu site. No entanto, existem duas formas que ações de Buzz Marketing podem conseguir bons posicionamento em buscadores. A primeira é se utilizar do relacionamento em blogs e fóruns para conseguir links (link building), e assim melhor o pagerank dos sites da empresa. Essa técnica já é amplamente defendida por vários pesquisadores.
Uma outra vertente para se utilizar de Buzz Marketing para conseguir posicionamento em buscadores é otimizar perfis, Tweets e perfis de Twitter, Google Maps, vídeos no Youtube, Yahoo Respostas e imagens – tudo que pode ser indexado pelo Google e aparecer nas buscas. Isso tudo pode ser medido facilmente através de uma simples pesquisa no Google, ou ainda de ferramentas criadas especialmente para isso.
Para se fazer um paralelo entre as ações e o retorno efetivo, é preciso estabelecer um fator de conversão. Se o objetivo for vendas, fica bem fácil. Mensura-se o lucro obtido em cada venda e multiplica-se pelo número de vendas feitas a partir da ação. Se o objetivo for brand awareness, quanto vale para sua empresa cada indivíduo (ou empresa) conhecendo sua marca? Se não consegue medir isso, uma fórmula simplificada é: Descubra seu grau de efetividade: total de ações (compras, contatos etc.)/ total de impactados. Depois multiplique pelo valor que cada ação tem para você.
Quanto você está disposto a pagar por um e-mail de um interessado no seu produto? Quanto você está disposto a pagar por cada venda concluída? Se ainda assim for difícil, compare com suas outras opções. Quanto custa para se atingir 1.000 pessoas do seu público-alvo em outras mídias, como TV ou revista? Qual dará melhor resultado? Essas definições devem ser feitas antes do início da ação, para preservar a imparcialidade dos resultados. Apenas assim será possível mensurar o ROI sobre ações de Buzz Marketing de forma objetiva.
Concluindo este breve artigo, existem as pesquisas qualitativas dirigidas. Esta etapa pode ser complementada pelos métodos tradicionais, como focus group e pesquisa de opinião por questionário (inclusive,questionário online em uma enquete do orkut). No entanto, gostaria de falar um pouco sobre métodos online de pesquisa não tradicional. Vou citar um exemplo que ilustra a importância de se quebrar paradigmas e desenvolver continuamente novas tecnologias de mensuração.
Sua empresa é uma companhia aérea e quer descobrir o que vale mais para seu consumidor: preço, parcelamento, qualidade, praticidade etc., ou, se, à frente de tudo, está sua marca. São criados anúncios no Google Adwords das seguintes formas: “Passagens Pernambuco R$150”, “Passagens Pernambuco em 5 vezes”, “Passagens Pernambuco 1ª classe”, “Passagens Pernambuco Online”, “Passagens Pernambuco Maria Airlines”. Os anúncios com maior CRT (clicks/impressão no Google) evidenciarão qual o valor mais percebido pelo seu público. Pode-se fazer esta ação antes e depois da ação de Buzz Marketing. Apesar de terem uma ampla base estatítica e quantitativa, pelo custo ser muito baixo, não existe limite teórico para o grau de detalhes que podem ser extraídos em ações como esta. Ou seja, com o advento das ferramentas de mensuração online, muito mais baratas, acaba a dicotomia entre pesquisas qualitativas e quantitativas.
Palestra sobre como estruturar uma estratégia de vendas para a internet.
Alguns pontos:
= Pesquisa de mercado
= pesquisa de público-alvo
= Planejamento
= Estruturação do site e estratégia promocional
= Mensuração de resultados
Palestrantes:
- Conrado Adolpho
- Raphael Feliz
Página Oficial: Curso de Comércio Eletrônico
Palestra de marketing digital ministrada por Conrado Adolpho em 18 de maio de 2008.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Pessoal, meu estimado amigo Wagner Nicolau lançou seu novo blog sobre Marketing Digital e Economia.
Boa leitura a todos.
Continue com este bom trabalho, Wagner.
[]s
texto de Conrado Adolpho – Diretor da Publiweb Marketing Digital
A dissonância entre o que o professor – “detentor do saber” – e os alunos é bem maior do que a distância física que os separa na sala de aula. Professor e alunos caminham em direções opostas.
Leia na íntegra este texto de Conrado Adolpho.
Em quanto tempo a TV vai parar de falar de Michael Jackson para falar na nova CPI que está rolando?
Agenda Setting é exatamente isso, entender o poder ideológico da mídia sobre a pauta de discussão na opinião pública. Este pensamento está baseado em dois pressupostos muito simples de defender (até hoje): um, a mídia tem dono e interesses próprios e dois, a mídia tem grande poder de influência na Opinião Pública. Assim, para escolher qual será a foto de capa do grande jornal ou o próximo tema polêmico da novela das oito a mídia de massa tem que resolver uma equação onde a variável ideologia tem mais peso que a variável vender jornal. Se o público não diz o que quer ouvir, a mídia escolherá o que quer nos contar.
Desde que o homem se reúne em torno de uma fogueira e uma ou duas pessoas apenas tinham a palavra, existe uma pirâmide de comunicação, onde apenas o topo fala e toda a base somente escuta. Assim, fica a pergunta, de que forma a mídia hoje pode ouvir o consumidor?
Claro, existem os Reality Shows, onde podemos interferir no desfecho do programa, dentro de uma série de regras, pagando 30¢ mais impostos por ligação. Nos programas ao vivo são lidos e-mails dos telespectadores. Para decidir o rumo do personagem da novela das oito, já ouvi dizer que se faz até pesquisa de opinião com, pasmem, centenas de entrevistados. Isso é o mais longe que a Opinião Pública pode interferir na Media Agenda tradicional.
Fica uma pergunta a Maxwell McCombs, um dos autores da Agenda Setting: como se pode saber com precisão o verdadeiro impacto dos esforços da mídia na Opinião Pública, nos assuntos em pauta nos bares e salões de beleza?
Será que as tradicionais pesquisas de opinião, com amostragem limitada pela verba e resultados distorcidos pelos métodos, ainda podem ser consideradas ferramentas tão relevantes? Em seu livro Click, Bill Tancer nos coloca de frente ao maior pesquisador do mundo; um ente que não está interessado em nossas respostas, mas em nossas perguntas. Estamos falando, é claro, no banco de dados do Google. Através de ferramentas como o Google Insights e o Adwords, esses dados nos dizem o que, quando e como estão buscando os 300 milhões de internautas no mundo.
Todos os dias escuto empresários dizendo, há alguns anos meu site era o primeiro no Google. Agora, ele não está nem na trigésima página. O mesmo acontece com blogs. O Google continua sendo o melhor lugar para se perguntar algo, no entanto, antes era muito mais fácil ser ouvido, ou seja, estar nas primeiras páginas. No momento em que as pessoas e empresas perceberam o poder de estar na primeira página do Google e que isso representava uma oportunidade de transformar a pirâmide dos meios de comunicação em um quadrado, veio a corrida por técnicas de SEO.
Primeiro nos Estados Unidos e agora no mundo, os grandes buscadores viraram mídia e empresas percebem, cada vez mais, que o custo benefício de aparecer na internet é muito mais interessante do que investir em veículos tradicionais. No entanto, os pequenos blogs, em especial os pessoais, simplesmente foram varridos das primeiras páginas. O conteúdo destes blogs até melhorou muito nos últimos anos, mas não detém a mesma visibilidade que se vislumbrava com seu meteórico surgimento na virada do século. No livro Click, Bill Tencer, mostra que apenas 1% das pessoas realmente produz conteúdo, geralmente em blogs e fóruns. 10% consomem esse conteúd, postando nos blogs, twittando ou apenas lendo. Os outros 90% continuam como meros expectadores, frequentando alguns poucos hubs, como as grandes redes sociais.
Eis que, há três anos, a ideia de Jack Dorsey deu um novo passo em blogging, o microblogging. @radfahrer define, em seu blog, esta nova ferramenta: “Mix de um post de blog com mensagem de SMS para um grupo de amigos em um MSN”. Claro, estamos falando do Twitter.
Há quem chame esta ferramenta de site, apesar de um de seus principais diferenciais, ao meu ver, ser o plugin que o conecta diretamente ao browser. Há quem o chame de rede social, embora o foco não seja a socialização, como no Orkut ou Facebook, mas a divulgação de conteúdo, pessoal e, recentemente, empresarial também. Difícil de definir, o Twitter reforça o grupo dos fóruns e comunidades de redes sociais, que representam a oportunidade de dar voz à base da pirâmide, pois os seguidores podem se tornar seguidos.
Em oposição ao modelo de Agenda Setting com pautas pré-definidas e poucos formadores de opinião, o novo cenário requer uma competência cada vez maior dos influenciadores para serem ouvidos (seguidos). Portanto, configura-se um cenário onde a relevância do conteúdo, mais que a qualidade, é cada vez mais imprescindível.
Artigo por Conrado Adolpho:
Comércio Eletrônico tem se destacado a olhos vistos no Brasil e tem sido alvo de holofotes em todo o país devido às suas cifras e possibilidades. O seu crescimento ano a ano de dois dígitos contrasta de forma significativa com os outros setores da economia, até mesmo diante de uma crise global.
Empresas dos mais diversos portes e segmentos estão percebendo que não aderir a tal estratégia de mercado é, em pouco tempo, estar fora do próprio mercado. É fato, porém, que saber o que tem que ser feito não significa saber como deve ser feito.
A urgência em montar sua plataforma de comércio eletrônico – muitas vezes porque o concorrente já o fez – gera um efeito colateral: faz com que as empresas não parem para se questionar qual o melhor modo de montá-la. Isso talvez aconteça porque só conheçam uma maneira, a mesma vitrine digital de produtos aliada ao velho “carrinho de compras”.
Se todos se utilizam da mesma estratégia de diferenciação, ela deixa de ser eficiente. Tal qual ocorreu em meados dos anos 90, quando todos tinham que ter um site porque o concorrente já tinha, vivemos uma época de turbulência em que não há critérios, só pressa e falta de planejamento.
Se a sua empresa atualmente está investindo e despendendo esforços para montar uma bela plataforma de comércio eletrônico, saiba que há uma nova estratégia de diferenciação nessa área que ainda é privilégio de poucos.
Sabendo que o povo brasileiro é um dos que passa mais tempo navegando em redes sociais, tanto percentualmente quanto em números absolutos, é natural que tal comportamento venha cada vez mais fazer parte dos planos de vendas das empresas de comércio eletrônico.
Nasce assim o Comércio Social. Em poucas palavras, uma plataforma de comércio eletrônico que traz em sua gênese os conceitos de rede social, tendo como forte aliada a comunicação realizada na chamada web 2.0.
O Comércio Social se apresenta como o próximo passo do comércio eletrônico no país ao aliar as, ainda pouco conhecidas, rotinas de vendas aliadas à geração de conteúdo colaborativo, que pode ser potencializado por meio da comunicação viral e coesa em redes sociais.
Esses três “Cês” – comércio, conteúdo e comunidade – devem se somar de forma sinérgica em uma mesma plataforma de negócios digitais. Com um bom planejamento, essa estratégia vai gerar um número crescente de vendas qualificadas, porque trabalha continuamente a fidelização e a formação de uma comunidade de marca.
Os passos para implementar tal estratégia em sua operação de e-business não são tão complexos como se pode imaginar. Apresento algumas diretrizes a seguir:
Inicialmente é preciso gerar demanda, não há comunidade sem pessoas. O Google ainda é o melhor meio para gerar demanda para um site. Ter uma plataforma de comércio eletrônico otimizada para o mecanismo de busca é fundamental para gerar tráfego suficiente para manter uma comunidade sempre ativa e com novos membros.
A geração de demanda também passa pelo marketing viral, esse, contudo, ainda é misterioso o bastante para as empresas para que tenha sua efetividade garantida.
Após a geração de demanda, é preciso gerar “colas sociais”, ou seja, motivos para o usuário voltar e interagir com o site. Assim, a empresa deve realizar uma ação para não perder os usuários que já visitaram o site pela primeira vez. Exemplo dessas ações são concursos culturais, promoções relâmpago, fóruns em que os consumidores podem conversar entre si e, desse modo, contribuam com suas opiniões e construam o site a seu gosto por meio de APIs ou áreas customizáveis. É importante tornar a navegação uma experiência e não se restringir à pura e simples compra.
Para manter a experiência sempre vívida e atual, é preciso ser inovador e ativo na comunidade o todo o tempo. É preciso gerar “buzz”, dar motivos para que falem (bem) da sua empresa.
Após gerar as “colas sociais” e fazer com que os usuários se mantenham unidos e ligados à marca, é preciso se comunicar com eles por meio de ferramentas da própria web, como Twitter, Blogs, Orkut, MSN, e-mail e várias outras. Cada empresa descobrirá qual a melhor ferramenta para o seu público. O site tem que ter um caráter pessoal, deve se personificar e se comunicar com seu mercado de maneira personalizada e em massa. Nessa etapa a micro segmentação é fundamental.
Em todas as ações citadas, são criadas oportunidades de venda de modo que naturalmente elas sejam reiteradas por todo o processo do Comércio Social. Quanto mais interação, mais vendas.
Como pode ver, Comércio Social é uma atitude, uma nova maneira de fazer a publicidade e vendas no seu negócio. Atualmente “vender” é “se relacionar” e a maior parcela de “relacionamento” na internet está nas redes sociais. O caminho natural do comércio eletrônico está no Comércio Social.
Se pararmos para pensar nas mais lucrativas marcas do “mundo off-line”, iremos perceber que, na maioria das vezes, tais marcas são aquelas que mais geram “buzz” e que mais geram consumidores nas suas “comunidades de marca” de forma espontânea. Se isso já funciona tão bem no mundo de átomos, faça acontecer no mundo dos bits. A fórmula já foi dada, basta aplicá-la e replicá-la.
Por Conrado Adolpho:
Outro dia, li um artigo que falava sobre os “coolhunters” – em bom português, caçadores de tendências. Parece uma profissão futurista ou algo saído de filmes hollywoodianos (ou bollywoodianos, para ser mais “cool”). Os coolhunters, porém, são profissionais que detectam aquilo que, parafraseando Klee, um olho vê, o outro sente.
Tais tendências se delineiam sutilmente nos tecidos de nossas vidas e, sem que percebamos de forma concreta como tudo aquilo começou, tomam forma e se definem como um hábito. Os coolhunters buscam exatamente tais pequenas oscilações sociais que iniciam uma tendência macro.
Mark Penn, no seu livro “Microtendências”, apresentou-nos algumas das tendências mundiais que hoje se definem e influenciam mercados e instituições.
Criar as estratégias de sucesso significa detectar tendências
Enxergamos no nosso dia a dia (com os dois olhos) o crescimento sem precedentes da Internet e algumas tendências advindas desta. Vou apresentar-lhes uma delas que está surgindo em várias partes do mundo de forma isolada, mas que promete promover uma mudança completa na forma como compramos na internet – o Comércio Social.
O brasileiro sempre foi um povo gregário e que adora inovações. Com a chegada da web, tais características só se potencializaram, fazendo com que muitos aderissem em larga escala e de imediato, principalmente no tocante às redes sociais. É fácil perceber isso por meio do Orkut, que é completamente dominado por brasileiros.
Nosso povo passa mais tempo no Orkut do que no seu e-mail, sendo que esta rede social é o site mais acessado do país. Uma vez que somos assim, de que forma as empresas podem se aproveitar disso para aumentar seus lucros e receita?
A resposta está em utilizar os conceitos das redes sociais para promover lojas de comércio eletrônico. O Comércio Social se mostra muito lucrativo para empresas e tem boa receptividade perante o consumidor.
O publicitário Nizan Guanaes disse certa vez que haveria cada vez mais conteúdo na propaganda e cada vez mais propaganda no conteúdo. Os limites entre conteúdo e propaganda estarão cada dia mais tênues. Lembra-se do genial “Free Jazz Festival”? Um dos melhores exemplos que me lembro para exemplificar tal citação.
Redes Sociais são naturalmente desenvolvidas a partir de conteúdo gerado pelo próprio usuário. O que é o Orkut sem a presença dos usuários criando seus perfis, colocando fotos e vídeos? É como uma cidade fantasma, apenas um programa de computador sem nenhum atrativo.
Até hoje a grande maioria das lojas virtuais são somente uma vitrine de produtos com um carrinho de compras, porém, imagine se junto a uma loja virtual, você pudesse criar comunidades de marca comentando sobre determinada marca ou produto. Ou se você pudesse vender seus livros usados e utilizar seus créditos para comprar novos ou ainda discutir em um fórum sobre a qualidade ou as diversas formas de utilização de um produto que os membros do fórum compraram.
Para os que acham que isso não pode ser possível no mundo em que vivemos atualmente, a Amazon já faz isso há alguns anos. Eles praticam Comércio Social e por isso são os maiores varejistas virtuais do mundo.
Você pode estar se perguntando como fazer Comércio Social em uma loja de comércio eletrônico. Parece intangível demais.
Primeiramente, é preciso gerar tráfego para uma loja de e-commerce. Não existe Rede Social sem pessoas para torná-la coesa. Atualmente, a melhor ferramenta pra gerar tráfego é o Google. Ter o seu site bem posicionado nas principais palavras-chave do seu negócio (as mais buscadas pelo mercado) é fundamental para gerar tráfego para sua loja.
A geração de Tráfego, contudo, não é o suficiente. O Comércio Social se consolida, de fato, quando se planeja a loja virtual baseando-se no conceito de Rede Social e, para isso, é preciso criar o que denomino “colas sociais” – conteúdo relevante que faz com que os usuários tenham motivo para orbitarem em torno da marca ou do site.
Uma “cola social” é uma maneira de promover interação entre usuários, jogos disputados em grupos de consumidores, promoções, fóruns e outras ferramentas disponíveis com a tecnologia que temos hoje.
Uma vez que sua loja tem tráfego e “colas sociais”, é preciso se relacionar com seu público, criar diálogos entre “empresa-consumidor” e estimular o diálogo “consumidor-consumidor”. Correndo o risco de criar um neologismo, eu chamaria isso de criar um “multiálogo”. A Internet é uma grande conversa e deve ser tratada como tal.
Um site que gosto muito e cito como case em palestras e livros é o “Camiseteria”, um excelente exemplo de Comércio Social. Vale a pena conferir.
O Comércio Social é hoje uma tendência que se delineia sutilmente e as lojas virtuais que a seguirem certamente terão muito sucesso em sua empreitada online como uma maneira de diferenciação. Sair do comum, inovar é a fórmula para ter sucesso no atual e caótico mercado.
Assim como os coolhunters caçam tendências mundo afora, sua loja pode criá-las. Inove.